Do campo ao caixa: como a reforma tributária muda decisões operacionais na fazenda

Introdução

Imagine um produtor que vende hortaliças para supermercados, fornece parte da produção para uma cooperativa e ainda mantém uma pequena agroindústria. No modelo antigo, cada operação tinha uma lógica tributária distinta — e confusa. A reforma tenta simplificar, mas exige decisões operacionais mais conscientes.

Exemplo 1: venda direta ao varejo

Na venda direta, o destaque do IBS e da CBS muda a conversa sobre preço.

Na prática:

  • O varejo passa a olhar o fornecedor também pela capacidade de gerar crédito;
  • Produtores organizados fiscalmente tendem a ser preferidos;
  • Erros na nota podem inviabilizar a venda.

Simular o impacto antes da safra evita surpresas na margem.

Exemplo 2: comercialização via cooperativa

Contratos claros entre cooperado e cooperativa passam a ser essenciais para:

  • Evitar acúmulo de imposto;
  • Preservar o fluxo financeiro do produtor;
  • Garantir transparência na formação do preço.

Exemplo 3: pequena indústria de processamento

Produtores que processam parte da produção (polpas, queijos, cortes, embalagens) precisam olhar além do produto final.

O que muda:

  • A escolha entre terceirizar ou internalizar etapas pode mudar;
  • A exportação pode se tornar mais atrativa, desde que o crédito seja bem gerido.

Onde estão as oportunidades reais

  • Redução de custo por melhor aproveitamento de crédito;
  • Organização patrimonial para reduzir riscos jurídicos;
  • Profissionalização da gestão fiscal;
  • Acesso a mercados mais exigentes, inclusive internacionais.

Conclusão

A reforma aproxima o produtor rural da lógica empresarial plena. Quem entender cedo como o imposto impacta operação, contrato e patrimônio estará um passo à frente em 2026.

Próximo passo sugerido: rodar simulações, revisar contratos e alinhar contador, jurídico e gestão antes do início da próxima safra.

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